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LEED e BREEAM: o que são e por que razão importam para o seu projeto

26 de Junho, 2026

As certificações ambientais LEED e BREEAM são hoje uma realidade crescente nos cadernos de encargos de arquitetos e projetistas.

Perceber como funcionam e que papel os materiais de revestimento e pavimento têm nesse processo é cada vez mais uma competência essencial no projeto contemporâneo.

O que são as certificações ambientais para edifícios?

A construção é responsável por cerca de 40% do consumo energético global e um terço das emissões de carbono.

De forma a dar resposta à necessidade de diminuição deste impacto, surgiram as certificações ambientais como uma metodologia objetiva, verificada por terceiros, para medir e melhorar o desempenho ambiental dos edifícios, contabilizado desde o projeto à operação.

Atualmente, para os arquitetos, estas certificações deixaram de ser uma curiosidade técnica. Os clientes institucionais, fundos de investimento imobiliário e promotores com objetivos ESG exigem-nas cada vez mais e a escolha dos materiais de revestimento e pavimento, cerâmica incluída, tem impacto direto na pontuação final de um projeto certificado.

As duas certificações mais reconhecidas internacionalmente são o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e o BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method).

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LEED — Leadership in Energy and Environmental Design

Criado em 1998 pelo U.S. Green Building Council, o LEED é hoje o sistema de certificação sustentável mais utilizado no mundo, presente em mais de 180 países. Abrange todo o tipo de edifícios desde escritórios, habitação, hotelaria, espaços comerciais e infraestruturas industriais.

A abordagem é realizada por pontos, com o projeto a acumular créditos em várias categorias e o nível de certificação a ser atribuído consoante a pontuação total. O sistema distribui os pontos de forma relativamente uniforme entre categorias, o que dá ao arquiteto flexibilidade para otimizar o desempenho nas áreas mais relevantes para cada projeto.

As categorias avaliadas cobrem praticamente todas as dimensões do edifício desde o processo integrado de projeto, a localização e acessibilidade a transportes públicos, o impacto nos terrenos e ecossistemas locais, a eficiência hídrica, o desempenho energético, a escolha de materiais com baixa pegada de carbono, a qualidade do ambiente interior, com particular atenção às emissões de COV, e ainda a inovação no design e as prioridades ambientais específicas da região onde o projeto se insere.

A certificação é atribuída em quatro níveis progressivos. O nível de entrada, Certified, exige entre 40 e 49 pontos; o Silver começa nos 50 pontos; o Gold requer um mínimo de 60; e o Platinum, o nível mais elevado, exige pelo menos 80 pontos num sistema com um máximo possível de 110.

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BREEAM — Building Research Establishment Environmental Assessment Method

O BREEAM é o método de avaliação ambiental mais antigo do mundo, criado em 1990 no Reino Unido. É a referência dominante no mercado europeu e tem crescido de forma consistente em Portugal e Espanha, tornando-se cada vez mais relevante para arquitetos.

Em comparação com o LEED, o BREEAM adota um sistema de pontuação ponderado, em que certas categorias têm maior peso no resultado final. Incorpora também dimensões específicas do contexto europeu, como a resiliência climática a longo prazo e a gestão ambiental durante a fase de construção, não apenas do edifício em operação.

As categorias avaliadas incluem a gestão do projeto e da obra, a saúde e bem-estar dos ocupantes, a eficiência energética, a mobilidade e transportes, o consumo de água, o impacto ambiental dos materiais ao longo do seu ciclo de vida, a gestão de resíduos, o uso do solo e a preservação da biodiversidade, o controlo da poluição e, de forma crescentemente relevante, a capacidade de adaptação do edifício às alterações climáticas.

O BREEAM classifica os edifícios em seis níveis. O patamar de entrada é o Pass, a partir de 30% da pontuação, seguido do Good (45%), Very Good (55%), Excellent (70%) e, no topo, o Outstanding, reservado a edifícios que alcancem 85% ou mais da pontuação máxima.

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LEED vs. BREEAM: qual escolher?

Apesar de partilharem o mesmo propósito, os dois sistemas têm filosofias e processos distintos.

O LEED, de origem americana, centra-se sobretudo na eficiência energética e na inovação no design, distribuindo os pontos de forma mais uniforme pelas categorias.

O BREEAM, de raiz europeia, atribui maior peso à gestão do projeto, à saúde dos ocupantes e à resiliência climática, com um processo de avaliação geralmente mais rigoroso e detalhado, que inclui auditorias ao longo da fase de construção.

Em termos de implantação geográfica, o LEED é dominante nos EUA e na América Latina, mas tem presença global. O BREEAM é a referência nos mercados europeus, incluindo o ibérico. Do ponto de vista de custos, o LEED tende a ser mais acessível em projetos de menor escala, enquanto o BREEAM pode representar um investimento mais elevado, compensado por uma avaliação mais granular e pelo peso que tem junto dos investidores institucionais europeus.

O papel da cerâmica de revestimento e pavimento nas certificações

Um equívoco comum é pensar que as certificações se resumem apenas ao desempenho energético do edifício. Na realidade, os materiais de acabamento, onde se inclui os revestimentos cerâmicos de paredes, pavimentos e fachadas, têm impacto direto em várias categorias de pontuação, tanto no LEED como no BREEAM.

Para um arquiteto que projeta com ambição de certificação, a escolha dos materiais de revestimento não é apenas uma decisão estética, mas também uma decisão técnica e ambiental que pode fazer a diferença entre um nível de certificação e o seguinte.

Na categoria de Materiais e Recursos, presente em ambas as certificações, são avaliados o conteúdo reciclado dos produtos, a responsabilidade na extração das matérias-primas, a durabilidade e o comportamento no fim de vida.

A cerâmica tem aqui vantagens estruturais já que é um material de longa duração, produzido a partir de recursos naturais abundantes e com elevada taxa de reaproveitamento dos resíduos de produção.

Na categoria de Qualidade do Ambiente Interior, a cerâmica beneficia do facto de ser um material inerte, não emitindo compostos orgânicos voláteis (COV), ao contrário de outros materiais de revestimento como tintas, alcatifas ou alguns pavimentos sintéticos. Em projetos de saúde, hotelaria ou habitação, este atributo é particularmente valorizado pelo BREEAM.

Nas categorias ligadas à Energia e ao Envelope do Edifício, os revestimentos de fachada em cerâmica, nomeadamente em sistemas de fachada ventilada, contribuem para o isolamento térmico e a redução de pontes térmicas, com impacto direto no desempenho energético do edifício.

Por fim, o Carbono Incorporado é um critério em crescimento nos níveis mais elevados de ambas as certificações. Para documentá-lo, a Declaração Ambiental de Produto (EPD) tornou-se o instrumento de referência.

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O que significa especificar cerâmica Aleluia Ceramics num projeto certificado

Quando um sistema de certificação avalia os materiais de um edifício, não analisa apenas o produto em si, analisa também o processo com que foi fabricado. A pegada ambiental da produção cerâmica é um dos indicadores que entra na EPD e que, por sua vez, alimenta os créditos de Materiais e Recursos no LEED e no BREEAM.

Na Aleluia Ceramics, o compromisso com a eficiência produtiva traduz-se em números concretos e verificáveis. A unidade industrial opera com 32% de autonomia energética através de energia solar, o que reduz diretamente o carbono incorporado calculado na EPD dos produtos. A par disso, as otimizações contínuas nos processos produtivos permitiram uma redução anual de 220 000 m³ no consumo de gás natural, com impacto direto nas emissões de CO₂ associadas ao ciclo de vida dos produtos.

Na gestão da água, são reaproveitados 14,5 milhões de litros de águas residuais industriais por ano, um indicador que entra diretamente no cálculo do ciclo de vida e é refletido na EPD.

As emissões de fluoretos situam-se 80% abaixo do limite legal, um indicador de qualidade ambiental da produção que também entra na avaliação de impacto da EPD.

Por fim, todo o embalamento utiliza 100% de cartão reciclado, com paletes tratadas, contribuindo para os créditos de conteúdo reciclado e cadeia de abastecimento sustentável.

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EPD: a documentação que os projetos certificados exigem

Uma Declaração Ambiental de Produto (DAP) – ou EPD, do inglês Environmental Product Declaration  — é um documento verificado por terceiros que quantifica o impacto ambiental de um produto ao longo do seu ciclo de vida, desde a extração das matérias-primas até ao fim de vida, passando pela produção, transporte e utilização.

No contexto das certificações LEED e BREEAM, a EPD passou de um documento opcional a requisito frequente. Nos níveis mais elevados de ambas — Gold e Platinum no LEED, Excellent e Outstanding no BREEAM — os avaliadores exigem evidências documentadas do impacto ambiental dos materiais utilizados.

A EPD é essa evidência. Cobre indicadores como o potencial de aquecimento global (carbono incorporado em kg CO₂ equivalente), o consumo de energia primária ao longo do ciclo de vida, o potencial de acidificação e eutrofização dos ecossistemas, o consumo de água na produção e os resíduos gerados na produção e no fim de vida.

Pode consultar as DAP da Aleluia Ceramics aqui.

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Casos de referência em Portugal

Em Portugal, os primeiros marcos de cada certificação ficaram registados na última década e meia. O Sonae Maia Business Centre, na Maia, obteve, em 2008, a primeira certificação LEED Gold em Portugal, um projeto que abriu caminho para a adoção da certificação no mercado imobiliário nacional e demonstrou a compatibilidade dos padrões americanos com a realidade construtiva portuguesa.

Sonae Maia Business Centre

Já o Porto Office Park, no Porto, foi o primeiro edifício em Portugal a alcançar a classificação Excellent na certificação BREEAM, posicionando o país no mapa da construção sustentável europeia.

Porto Office Park

O que deve saber antes de certificar um projeto

As certificações têm de ser integradas desde o início do processo de design e não são um carimbo que se obtém no final da obra.

O registo deve ser feito ainda em fase de projeto. Quanto mais cedo a certificação for incorporada na metodologia de trabalho, maior a margem para otimizar o desempenho sem custos adicionais.

Do lado dos materiais, a prática é pensar no seu ciclo de vida. Materiais com maior durabilidade, como a cerâmica, têm um impacto ambiental por ano de vida útil significativamente menor do que materiais que exigem substituição frequente, o que se reflete positivamente nos cálculos de carbono incorporado.

Por fim, a escolha entre LEED e BREEAM deve acompanhar a estratégia do promotor. Projetos europeus com investidores institucionais tendem a valorizar mais o BREEAM, enquanto projetos com dimensão internacional ou promotores americanos apontam frequentemente ao LEED. Em qualquer dos casos, a lógica é a mesma, quanto mais cedo estas decisões forem tomadas, melhores os resultados.

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